As estrelas de plástico

Você pode ler este post ao som de Beautiful, Christina Aguilera

Mesmo com a escada, eu não alcançava o teto — ou pelo menos tinha medo de esticar meu corpo até onde precisasse. Eu queria que estrelas brilhassem sobre mim enquanto dormia, mesmo que artificialmente. Era o máximo de luz próxima da realidade que conseguiria morando em uma cidade grande.

Talvez eu nunca tivesse imaginado a complexidade que aquele momento me traria. Não só pela necessidade de ter o sono assistido por elementos de material tão frágil, mas pelo que viria no processo.

Meu irmão, claramente mais alto que eu, alinhou, uma a uma, as estrelas de plástico rentes ao teto. Eram dezenas e, entre elas, duas fugiriam do formato padrão. Ao final da saga interestelar das quatro paredes, ele me perguntou qual era o problema das estrelas que ficaram de fora das minhas constelações. Estão com defeito, respondi.

Elas vão brilhar do mesmo jeito, ele foi direto.

Pensei em quantas vezes somos a estrela deixada de lado. Que, à luz do dia, teriam todas as marcas expostas e, no escuro (quando requisitadas), seriam exatamente o que alguém precisa. No fim, todos nós brilharíamos na simplicidade do nosso próprio sonho — ou do sonho de quem nos vê antes de adormecer.

Ora somos carne e osso, ora somos plástico. Que se molda conforme a vida acontece e ascende quando a hora chega. Acesas, no escuro de quem nos vê. Deformadas aos olhos de quem julga a intensidade pela forma — e não pela essência.

 

Crédito da imagem: flickr/Catherine Segurson

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